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A opinião de Eduardo Tavares
Conselhos ninguém pediu, mas assim mesmo, resolvi escrever...
28 de Maio de 2021
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Conselhos ninguém pediu, mas assim mesmo, resolvi escrever...
Eduardo Tavares
VP Creative Director for Craft & Design AREA 23

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Conselhos ninguém pediu, mas assim mesmo, resolvi escrever...


...e que, se calhar, serão úteis a você, jovem art diretor.


6 DICAS PARA CONSTRUIR UMA PASTA DE UM ART DIRECTOR

 

O carro abre-alas:


Toda escola de samba tem o seu. É o veículo que chama atenção do público para aquilo que vem por aí. O teu portfolio tem que ter esse carro. É aquela melhor peça tua. A que vai fazer com que tu sejas lembrado (ou solenemente ignorado). Tem que ser o teu melhor material. Pode ser um filme, uma ativação, um print, um mailing, enfim, qualquer coisa. Só que tem que ser a melhor de todas.

 

Think small:


Só coloque o que é realmente bom. A não ser que tu tenhas 15 Leões e 12 One Shows eu não quero ver um portfolio com 27 (fiz a conta certa?) peças. Escolhe bem, mostra para outros profissionais próximos, pede (e principalmente, aceita) opiniões daqueles que respeitas, antes de montá-la. O filtro básico é: será que gostarias mesmo de ver a tua própria pasta e tudo aquilo que lá está?

 

Não ponhas todos os ovos na mesma cesta:


Um diretor de arte tem a responsabilidade de criar e deixar bonito todo tipo de formato. De uma campanha multi-meios a um teaser de e-mail marketing. Tem de diversificar nos tipos de meios. Activações bem pensadas e bonitas, prints especialmente bem resolvidos, materiais online, e até mesmo spots de rádio, porque não? Hoje em dia, nenhum formato é exclusividade do art director ou do copy. Quem manda é a ideia. Por isso, tens de ter uma pasta o mais diversificada o possível. Só cuidado para não esqueceresdo item anterior.

 

Pró-actividades sim, Fantasmas não:


Pró-actividades são aquelas peças que surgem sem briefing, de um insight interessante que servirá a algum cliente da agência. Elas serão apresentadas e devidamente aprovadas ou não. Se sim, e se forem realmente bons trabalhos, podem fazer parte da sua pasta. Agora, aquele fantasma para Tabasco, Nike, Old Spice ou qualquer outro cliente com o qual nunca tiveste a oportunidade de trabalhar, não. Não me interessa se isso é o teu maior hobby. Não servirá de nada e só puxará o teu portfolio para baixo.

 

O diabo está nos detalhes:


Como art director, todo trabalho colocares no teu portfolio deve estar alinhado do início ao fim. Desde as grandes coisas - como uma boa escolha de imagem, ilustração, fontes e cores, até pequenas coisas como um packshot bem pensado onde haja um equilíbrio entre o belíssimo logo/produto do cliente e aquele monte de palavrinhas chamadas “conceito” que aquele gajo que digita o dia inteiro ao seu lado criou.

  

Diretor de…


Arte. Tens de ter alguma coisa na tua pasta que reflita isso. E não digo isso só em anúncios e filmes. Projetos pessoais também são bem-vindos. Um art director tem que ser curioso e buscar coisas que o realizem ao mesmo tempo que expressem alguma forma de arte. Desenho, pintura, fotografia, animação, lettering, poesia, música ou bordado…enfim, qualquer tipo de expressão individual que reflita a arte. Que ela não seja só um nome no teu cargo, mas sim uma presença constante no teu trabalho e especialmente na tua vida.

  

4 DICAS PARA CONSTRUIR UM ART DIRECTOR (Bónus e ainda mais importante)

 

Insistência


Como diria o bom e velho Rocky Balboa: “Importante não é o quanto tu bates, mas sim o quanto apanhas e consegues continuar de pé.” Publicidade é um exercício contínuo de frustração. Não há outra maneira. Em uma profissão em que 99% do teu trabalho vai para o lixo, tu tens de estar preparado para insistir. Não é nada pessoal contra ti. O teu trabalho será feito, refeito e alterado de todas as formas. E tens de estar preparado para isso. Nessa área, não basta ter talento. Já conheci diversos diretores de arte talentosíssimos que ficaram pelo caminho porque simplesmente desistiram na primeira ou segunda ou terceira (talvez na ducentésima) vez que tiveram algo recusado. Tem de ter jogo de cintura para a pedreira dos “nãos” do dia-dia. 

 

Referência


Diretor de arte tem que ter referência. Todo tempo livre é uma oportunidade para buscar novas tendências. Seja em publicidade (nem preciso falar aqui que os materiais de Cannes são obrigação. São os caminhos da nossa indústria e devem ser estudados. Está cada ano mais fácil ter acesso, então não há desculpas), seja em sites de referências (com alguma parcimônia), e especialmente no mundo real (museus, exposições, cinema, etc). Tudo é combustível para o teutrabalho e devemos armazenar o máximo possível.

 

Rough


É tua obrigação saber “rafear”. Atenção, eu não disse “ilustrar”. O rough é um esboço super simples (bonecos-palito e objetos disformes servem) feito com o objectivo de exemplificar uma ideia. O rough é uma economia gigantesca de tempo, seja para ti, seja para o teu diretor criativo. Tempo esse que vai servir para teres ainda mais ideias, ao invés de ficar a pentear um board ou maquete antes mesmo dela ser aprovada. Além disso,o processo de “rafear” livremente sobre um papel em branco é muito mais criativo e libertador do que simplesmente tentar fazer algo no computador. O que pode gerar ainda mais ideias. Experimente.

 

Não seja babaca


Babaca: do tupi guarani - BA: aquele que / BACA: é um grande otário. Ou seja, escuta as opiniões dos outros sem chorinho. Respeita os teus superiores. Demonstra vontade. Sê simpático com todos (até os accounts ; ). Sê pró-activo. Ajuda a todos. Enfim, entendas que o mundo da publicidade não gira em torno do teu umbigo. Não ser um babaca é um ótimo primeiro passo para progredir nessa área.

 

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